100 Palavras  por Odair Bruzos
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75

Já discuti por coisas tão sem importância. Já briguei por ninharias. Já me preocupei por causa de tantos nadas. Por outro lado, muitas vezes quis elogiar alguém, mas, por medo de parecer ridículo, guardei o elogio em meu interior. Muitas vezes também quis abraçar, dirigir palavras de incentivo, de consolo, de amizade, mas sempre aparecia o medo de ser ridículo, e eu me calava... Ridículo, mesmo, é não expressar o Amor que tudo permeia. Ridículo, mesmo, é dar valor ao que não tem valor. Ridículo, mesmo, é deixar a Vida escorrer pelas bordas do agora. Abrace, elogie, incentive, ame! Agora.

Publicado na edição 276 da Revista Ria de 09/01/2010


74

Não sei se no ano que entra vou ficar milionário ou vou virar mendigo; se vou brilhar ou fracassar; se vou viver doze meses ou se vou morrer hoje; se vou sorrir ou vou chorar; se vou voar ou se vou ficar preso numa cama; se vou gritar de entusiasmo ou se vou gritar de dor. Só sei de uma coisa, em resumo: no novo ano eu quero sentir, sempre, em qualquer situação, em todo lugar, que só o Amor existe. Resumindo mais, ainda: desejo que o resumo anterior seja uma Verdade, não uma frase de texto de ano novo.

Publicado na edição 275 da Revista Ria de 26/12/2009


73

Por que a Vida, que é um pulsante milagre, em vez de ser vista dessa maneira, torna-se um vale de lágrimas, de dores, de cismas, de rostos enrugados por preocupações, medo?  Se tudo o que é, como já se cantou, é divino e maravilhoso, por que não percebemos a divindade e a maravilha que criam e permeiam a Vida?  Por que estamos, quase sempre, com saudade do que passou e com ansiedade pelo que está por vir, ignorando o que acontece no presente?  Respirar fundo, conversar com um amigo, cheirar uma flor, pedir perdão, perdoar, amar.  Fazer isso agora...

Publicado na edição 273 da Revista Ria de 28/11/2009


72

Ah, se pudéssemos voltar aos instantes imediatamente anteriores aos erros que cometemos... Naqueles causados por nossos atos, iríamos contar até mil, um milhão, se preciso fosse, até que a vontade ou a idéia erradas desaparecessem; depois, então, voltaríamos a contar, até que surgisse a vontade correta, a idéia perfeita . Para os erros nascidos da inação, iríamos respirar fundo e começar a agir imediatamente. Como seria maravilhoso não errar. Como seria deslumbrante acertar sempre. O único problema é que teríamos tanto medo de errar, que estaríamos sempre contando e respirando fundo. Não sobraria tempo para viver, para amar, para ser.

Publicado na edição 272 da Revista Ria de 14/11/2009


71

Há pessoas que envelhecem. Os anos vividos e as certezas estabelecidas vão aumentando cada vez mais. Elas estão sempre envelhecendo, sempre cristalizando suas indiscutíveis certezas.
Há outras pessoas, porém, pouquíssimas, aliás, que não envelhecem: na verdade, crescem. Elas nunca param de crescer. Seus anos vividos também vão aumentando, é claro. Suas certezas, no entanto, vão diminuindo cada vez mais. A cada segundo, certezas anteriores se transformam em novas dúvidas. Não há nada mais vivo e gerador de Vida do que a dúvida. A certeza, por outro lado, é um verdadeiro túmulo. Quem está absolutamente certo de suas certezas já morreu.

Publicado na edição 271 da Revista Ria de 31/10/2009


70

Em momentos de extrema crise, como no dia em que minha Mãe morreu, tive a plena convicção de que as coisas mais importantes na Vida são, também, as mais simples.  São coisas que não podem ser compradas com dinheiro.  São, aliás, coisas que sempre estiveram conosco, mas às quais nunca demos importância quase nenhuma.  A família reunida, um abraço num amigo sincero, um par de ouvidos a nos escutar, um sorriso largo e sem motivo de uma criança, a Sabedoria dos mais idosos, esses são os momentos que ficam para sempre.  Geralmente percebemos isso muito tarde...  Por que não hoje?

Publicado na edição 270 da Revista Ria de 17/10/2009


69

Hoje sou um Odair que busca, desesperadamente, acreditar que Deus existe. Livros, vozes, sinais gritam que Ele existe, é Bom, Justo e Compassivo, mas nada disso pode me trazer a certeza plena de sua Existência. Mesmo que tivesse alcançado essa certeza, seria impossível acreditar em sua Bondade, Justiça e Compaixão, diante de tantas histórias de dor. Um dia, porém, deixarei de lado livros, vozes e sinais, mergulhando, simplesmente, no meu Ser. Recordarei, então, que Ele é em mim, que Ele é Amor. Nesse dia, a dúvida será outra: o Odair existe? E, serenamente, perceberei a falta de importância dessa dúvida...

Publicado na edição 269 da Revista Ria de 03/10/2009


68

Cair dói. Cair nos deixa, quase sempre, desesperados. Uma das maneiras de suavizar esse desespero é perguntar: por quê? Quando a resposta está fora de nós, a queda dói, é claro, mas sempre resta uma gota de consolo, eis que podemos nos ver como vítimas. Quando, porém, constatamos que fomos os causadores de nossa própria queda, a dor aumenta ao extremo, alcançando as profundezas infinitas da desesperança, da culpa, da tristeza, do medo, da vergonha. Mas muitos usaram esse desespero lancinante como semente de amor a Deus, aos outros e a si próprio. E alcançaram o cume infinito da Paz.

Publicado na edição 268 da Revista Ria de 19/09/2009


67

Se eu conseguisse aceitar que sou muito pequeno, um grão de areia no Saara, uma gota no Atlântico, um segundo na eternidade. Se mais do que aceitar, eu conseguisse sentir que, mesmo sendo essa poeira, essa gota, esse instante, eu sou um reflexo de Deus. Se esse sentir me fizesse alcançar a plena convicção de que só o Amor existe. Se, assim convicto, percebesse claramente que todos vivem em mim, que eu vivo em todos. Se, vendo-me no meio dessa maravilhosa Vida sem limites, eu me lembrasse de que sou poeira, gota, instante, teria dado o primeiro passo no Caminho.

Publicado na edição 267 da Revista Ria de 05/09/2009


66

O verdadeiro e definitivo remédio para as doenças da Humanidade não é um remédio. Não há gotas, comprimidos, receitas, tratamentos, cirurgias, programas, resoluções capazes de curar as doenças dos seres. A única maneira de alcançar a cura é aceitar que se está doente. Quando aceito que sou gordo, ou fumante, ou rancoroso, ou seja lá o que for, nesse momento a mudança da doença para a cura pode acontecer. Mas a mudança só acontece quando não é buscada. Se a doença não for aceita, ou se a cura for buscada, o máximo que se pode conseguir é uma melhora provisória.

Publicado na edição 265 da Revista Ria de 08/08/2009


65

Meus lábios, com aparência humilde, rezam “Pai nosso, que estais no Céu”. Meu coração, porém, com sua vã soberba e seu orgulho oco, grita: Odair, você é o maior, em todo lugar. Minha voz sussurra “santificado seja o Vosso Nome”, mas minha boca só faz louvar a mim mesmo. Enquanto digo, mansamente, “seja feita a Vossa vontade”, todo o meu ser busca, freneticamente, a satisfação de todos os meus desejos. O pão nosso? Nosso, não: Meu!. Perdão quero receber, sim; já perdoar... Nesses momentos, sinto como estou longe do Pai. E, mesmo assim, Ele me busca. Realmente, Deus é Amor.

Publicado na edição 264 da Revista Ria de 25/07/2009


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Todos estão à procura de receitas. Receitas para ser feliz, emagrecer, ficar rico, conquistar o amor, o poder. Para ser um sucesso, o sucesso, o máximo. E compram livros, assistem a palestras, colecionam filmes, sempre em busca da melhor receita para isto ou para aquilo. Tomam remédios, medem gramas, gotas. Decoram fórmulas, exercícios, mantras, gestos, posturas. Tudo isso, na verdade, é loucura. Mais do que loucura: é inconsciência. As pessoas encaram a vida como se ela fosse algo muito pequeno, algo que pudesse ser manipulado por passes de mágica. Se tomassem consciência de que já são a maior magia possível...

Publicado na edição 263 da Revista Ria de 11/07/2009


63

Dizem que o dinheiro não traz felicidade; manda buscá-la. Isso não é verdade. O dinheiro é necessário, útil, mais do que útil, até. Mas ele só pode comprar coisas. Ele até pode, por exemplo, comprar acompanhantes e puxa-sacos. Não compra, porém, uma amizade sincera, muito menos um Amor verdadeiro. Acompanhantes e puxa-sacos, ao se deixarem comprar, deixam de ser pessoas: viram apenas coisas. O ouro pode comprar banquetes, viagens, jóias raras, mas não pode comprar a Paz de Espírito. Precisamos lembrar sempre que o dinheiro só pode comprar coisas. A Vida, as pessoas e seus reais sentimentos não são coisas.

Publicado na edição 262 da Revista Ria de 27/06/2009


62

Dei uma ampulheta para a Carmen, como lembrança de nossas bodas de porcelana. Para chegar a vinte anos de União Viva, é preciso, vezes sem fim, esperar a areia se escoar, deixando ir com ela o ressentimento. É preciso aceitar que, nos momentos de crise, a areia demora mais para fluir. É preciso recomeçar sempre, virando a ampulheta, para surgir novo tempo. É preciso saber que o que afeta um lado também afeta o outro. É preciso lembrar que a porcelana vem da areia, assim como Uma Vida a dois vem de infinitos grãos de existir. É preciso viver amando!

Publicado na edição 261 da Revista Ria de 13/06/2009


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O verdadeiro Amor dói. Gostar é uma coisa, apreciar é outra, mas amar ultrapassa tudo. Muitas vezes, quando me sinto o pior dos homens, eu me lembro de que já amei tanto, mas tanto, que doeu. Nesses momentos, deixo de me sentir lá embaixo. Sinto o roçar do Céu no meu cabelo. Já disseram que tudo é Amor, que só o Amor é real, que Deus é Amor. A cada dia que passa, eu sinto que, sem Amor, agimos como mortos fingindo ter vida. Já com verdadeiro Amor, mesmo que estejamos mortos, perfumamos com Vida Plena tudo à nossa volta.

Publicado na edição 260 da Revista Ria de 30/06/2009


60

O que muda quando as pessoas abandonam hábitos doentios? Sinto que, no fundo, a grande mudança de quem parou de beber não é ter parado de beber. A grande mudança de quem parou de fumar não é ter parado de fumar. A de quem emagreceu não é ter emagrecido. A de quem largou o vício do jogo não é ter parado de jogar. A de quem parou de usar outras drogas não é ter parado de usá-las. A grande mudança dessas pessoas é que, hoje, elas se amam muito mais do que antes. Aliás, será que, antes, elas se amavam?

Publicado na edição 260 da Revista Ria de 30/06/2009


59

O que muda quando as pessoas abandonam hábitos doentios? Sinto que, no fundo, a grande mudança de quem parou de beber não é ter parado de beber. A grande mudança de quem parou de fumar não é ter parado de fumar. A de quem emagreceu não é ter emagrecido. A de quem largou o vício do jogo não é ter parado de jogar. A de quem parou de usar outras drogas não é ter parado de usá-las. A grande mudança dessas pessoas é que, hoje, elas se amam muito mais do que antes. Aliás, será que, antes, elas se amavam?

Publicado na edição 259 da Revista Ria de 16/05/2009


58

Nos momentos em que percebemos como caímos fundo, estamos diante das melhores sementes.  Podemos plantá-las no solo profundo da consciência de nossos erros, sendo irrigadas pelo suor de nosso agir no caminho da mudança, aquecidas pela Luz do Agora.  Assim elas acabam morrendo como sementes, mas gerando uma floresta de Beleza sem par e sem fim.  Ou podemos deixá-las na tênue película da ilusão e da indecisão, apodrecendo com nossas lágrimas de remorso, sob a escuridão do ontem e do amanhã.  Assim elas morrem, não apenas enquanto sementes, mas também como florestas em potencial.  Só nós podemos decidir onde plantar.

Publicado na edição 258 da Revista Ria de 02/05/2009


57

Quando queremos mudar, nós nos concentramos nos resultados da mudança, não na mudança propriamente dita. Isso causa ansiedade, a qual, por sua vez, dificulta a mudança, quando não a aniquila. Outra coisa que fazemos é sentir remorso pelo rumo errado que trilhamos, ou por não termos mudado antes. Isso causa culpa, a qual, por sua vez, paralisa a mudança, quando não a aniquila. O ideal é nos concentrarmos em mudar a cada segundo, simplesmente por sentirmos que precisamos mudar. O maior resultado que podemos alcançar com nossa mudança é a coragem de mudar agora. A Mudança só pode acontecer agora.

Publicado na edição 257 da Revista Ria de 18/04/2009


56

Na infância, vivemos perguntando: “por quê”? Na adolescência, “por que sim”? “Por que não”? Já adultos, cada vez mais só respondemos: “porque sim”, “porque não”. Pensamos que nos aprimoramos com o tempo, o estudo, a experiência. Isso pode ser verdade, mas também pode ser pura ilusão. Quase sempre é só ilusão vaidosa. Quem busca a Luz, até pergunta, de vez em quando: “por quê”? Nunca responde “porque sim”, “porque não”. E, cada vez mais: “por que sim”? “Por que não”? A Vaidade traz respostas, a Humildade, perguntas. A Vaidade nos leva ao amor pelo poder. A Humildade, ao poder do Amor

Publicado na edição 256 da Revista Ria de 04/04/2009


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Muitas e muitas vezes tentei provar que Deus existe, que é puro Amor. Muitas e muitas vezes tentei provar que Jesus Cristo realmente caminhou entre nós, sendo pura Compaixão. Muitas vezes tentei provar que existe algo além deste mundo material. Muitas e muitas vezes tentei provar que a morte não é o fim do Ser. Alguns poucos me ouviram, muitos me ignoraram, quase todos mudaram de assunto. Até eu me ignorei várias vezes. Hoje, desisti de tudo isso. Agora só quero provar para mim mesmo que eu existo, que posso me amar, que posso amar. Precisa mais do que isso?

 

Publicado na edição 255 da Revista Ria de 21/03/2009


54

Um filhote de cachorro, por mais meigo que seja, na hora de comer, age como se o Mundo fosse acabar logo depois, engolindo a comida numa ânsia louca. Nosso relacionamento com a Vida também é assim: sempre queremos engolir tudo, rapidamente, como se fôssemos apenas um sistema digestório, esmagando as experiências com os dentes dos anos, digerindo as pessoas com os ácidos de nossas palavras e ações, evacuando tudo e todos que já usamos. Se, em vez disso, sentíssemos as pessoas e as coisas que nos cercam, sentíssemos plena, profunda e conscientemente a Vida, perceberíamos que já estamos no Paraíso.

Publicado na edição 254 da Revista Ria de 07/03/2009


53

Como se diz, errar é humano. Não ter consciência dos erros, porém, é coisa do Diabo. A Humanidade faz de conta que não erra. Todos nos achamos vítimas, coitadinhos, sempre certos. Todos só criticamos e condenamos os erros dos outros, esquecendo-nos de nossas próprias quedas. Essa vaidade vazia, essa prepotência loucamente falsa faz nascer as guerras, dentro e fora de nós. Só a Verdade pode nos libertar dessa cegueira, tornando-nos humanos. E só quando nos tornamos verdadeiramente humanos, podemos alcançar Deus. Precisamos destruir essa vaidade, precisamos quebrar essa prepotência. A persistirem os sintomas, a Consciência deverá ser consultada.

Publicado na edição 253 da Revista Ria de 21/02/2009


52

Oi, Manhê! Ontem fez um ano que a senhora largou seu corpo de carne neste planeta. Faz tempo, mas volta e meia sinto como se estivesse recebendo, de novo, essa notícia desmoronante. Passei por muitas mudanças. Só não mudou a saudade... Muitas vezes eu me vejo pegando o telefone para contar para a Senhora as últimas novidades. E ontem? Por horas vi aquele seu olhar de curiosidade assombrosa, vi seu sorriso sem máscaras, vi seus gestos que sempre buscavam a compreensão entre todos. Não, Mãe, ontem não fui a um centro espírita. Só fui a uma casa com muitos espelhos.

Publicado na edição 252 da Revista Ria de 07/02/2009


51

Em geral, quem alcança o cume do Céu já caiu até o mais fundo dos infernos. Cristo disse que veio para os doentes, não para os que se acham sãos. Muitas vezes, é das profundezas da pior crise que brota a fonte da verdadeira Luz Eterna. Precisamos lembrar disso, quando caímos, quando recaímos. Dizem que o melhor é não cair, é não repetir o erro. Muitos, porém, não caem pelo caminho por um único motivo: não tiveram a coragem de andar. Suas vidas são túmulos. Às vezes é melhor cair, cair fundo, cair tantas vezes quantas forem necessárias, mas caminhar..

Publicado na edição 251 da Revista Ria de 24/01/2009


50

Conheço uma pessoa com dinheiro suficiente para viver muito bem, sem preocupações materiais. Mas vive num inferno. Conheço outra pessoa que, embora tenha finanças e emprego modestos, poderia levar sua vida de maneira normal. Vive, porém, num inferno, odiando seu trabalho. Ambos vivem no inferno, e não por problemas de saúde. Reclamam de tudo, de todos. Por onde passam, deixam seu rastro de amargor. Exalam um ressentimento contra algo que nem mesmo eles devem conseguir definir. É um ressentimento contra a Existência em si... O inferno é um prato a la carte: cada um pede o seu. O Céu, também.

Publicado na edição 250 da Revista Ria de 10/01/2009


49

Está escrito que estreita é a porta que conduz à verdadeira Luz, enquanto larga é a que leva à ilusão da matéria.  Isso é verdade.  Mas também é verdade que, para os que estão prontos para trilhar o caminho que leva à Luz, a porta nada tem de estreita: é infinitamente ampla.  Por outro lado, os que ainda patinam nas mentiras do mundo, com suas seduções denominadas riqueza, fama, poder, vaidade, orgulho, nem porta encontram para o caminho da verdadeira Luz Imortal: só deparam com paredes.  O pior de tudo: os que patinam amam patinar.  Assim, vidas são futilmente desperdiçadas...

Publicado na edição 249 da Revista Ria de 27/12/2008


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Ter carro de luxo é errado em termos de espiritualidade? Não necessariamente. Para isso não ser um erro, é preciso que o dono do carro tenha plena consciência da honestidade da origem do dinheiro usado na compra. O mais importante: ele precisa sentir que o veículo é, simplesmente, um meio de transporte, não uma nova personalidade, não a paz, não uma forma para que os outros tenham por ele aceitação, admiração, inveja. Já quem, por falta de opção, precisa usar ônibus, carro velho, bicicleta, e os sente não como simples meios de transporte, mas como fontes de ressentimento, erra muito...

Publicado na edição 247 da Revista Ria de 29/11/2008


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Muitos conseguem largar vícios e maus hábitos em geral através da religião. Isso pode parecer bom. A Verdade, porém, não é tão simples. Quando a Religião serve como um sinal indicando o caminho a trilhar para uma reforma íntima, o destino da caminhada é a Luz. Mas quando a religião simplesmente substitui uma droga, um mau hábito, ela é apenas isso: uma outra droga, um outro mau hábito. O destino dessa falsa mudança é o mesmo inferno de antes, embora com outras paisagens. No primeiro caso, o Amor cresce a cada dia. No segundo, crescem o auto-engano e a intolerância.

Publicado na edição 246 da Revista Ria de 15/11/2008


46

Embora causem enormes flagelos, álcool, cigarro, cocaína e outras drogas representam pequenos vícios.  O maior dos vícios, verdadeiramente, é a presunção de que não temos vícios, nem erros; de que nossa visão de Mundo é a certa; de que errados, viciados, ignorantes, maus são sempre os outros.  Essa é a causa de todos os males, até dos pequenos vícios.  Nesse auto-engano, vivemos numa ilusão confortável, mas mentirosa, esquecendo-nos de que somos seres eternos em busca do Eterno; de que o único Caminho para o Eterno é a permanente auto-destruição de nossas presunções.  Passamos nossos anos fingindo que vivemos...  Triste desperdício...

Publicado na edição 245 da Revista Ria de 01/11/2008


45

Abandonar vícios para preservar a saúde física, mental ou financeira é bom. Para parar de magoar entes queridos é muito bom. Para se auto dominar é ótimo. Mas se for para se aperfeiçoar, depois de um humilde reconhecimento dos próprios erros, é divino. Não falo apenas do álcool, fumo ou outras drogas; nem apenas do jogo, consumismo, promiscuidade. Falo, também e principalmente, dos grandes vícios, que atingem toda a Humanidade: orgulho, egoísmo, ganância, vaidade, inveja, maledicência, ódio e tantos outros. Só caindo e reconhecendo nossa cegueira espiritual, feito Saulo no caminho de Damasco, podemos ingressar na longa escadaria rumo à Luz.

Publicado na edição 244 da Revista Ria de 24/10/2008


44

Há momentos em que sentimos desmoronamentos: amor e amizade desaparecem, seja pela morte de parentes ou amigos, seja pela sua transformação em indiferença ou ódio; saúde, reputação, liberdade, dinheiro se transmutam em doença, prisão, vergonha, miséria; fé vira desesperança amarga solitária. Nesses momentos, queremos morrer. Mas há relatos de pessoas que estavam em campos de concentração, sabendo que logo iriam morrer, e que, mesmo assim, dedicavam-se a diminuir o sofrimento e o desespero dos outros. Falar e escrever sobre espiritualidade é fácil. Ter um milésimo de Amor, da Fortaleza e da Solidariedade dessas ,pessoas, porém, é praticamente impossível...

Publicado na edição 243 da Revista Ria de 05/10/2008


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Aqueles que o Mundo materialista considera vencedores são, no fundo, quase todos cruéis. É raríssimo vencer sem deixar pegadas de crueldade. Os que o Mundo considera fracassados não são menos cruéis, embora a crueldade destes receba outros nomes: inveja, despeito, rancor. Os mais cruéis, porém, e mais numerosos, são os medíocres. Essa multidão é duplamente cruel. Inveja os que subiram mais do que eles, torcendo para que caiam. Tripudiam sobre os poucos que subiram menos, tudo fazendo para que não subam mais, para que despenquem de vez. Posam de normais, corretos, bonzinhos, mas transbordam de ressentimento, maldade,
pobreza de espírito.

Publicado na edição 241 da Revista Ria de 06/09/2008


42

     São muitas as histórias em que o Bem, no final, ganha, brilha, vence. Elas aumentam a espiritualidade, fortalecem a Fé, reforçam o sentido da Vida. De Moral da história em Moral da história, vamos, em meio a finais felizes, caminhando para frente e para o alto. Até o Livro de Jó, depois de tanto sofrimento trágico, apresenta um “final feliz”. Difícil, mesmo, é mantermos nossa Fé, nossa Esperança, mesmo diante das histórias nas quais o Mal triunfa, o Bem sucumbe, o final é triste; principalmente quando vivemos essas histórias. Mas só aí saberemos se temos Fé. O resto é ficção.

Publicado na edição 240 da Revista Ria de 23/08/2008


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Uns acreditam em tudo: livros, gurus, pastores, ismos.
Nada questionam, nada buscam. Aceitam o que lhes dizem. Outros não acreditam em nada, num ver para crer sem fim. Os primeiros dizem perceber Deus em tudo. Os outros, mesmo que Deus em pessoa aparecesse para eles, diriam tratar-se, segundo sua Ciência, de uma ilusão provocada por uma enzima x no neurônio y. Nenhuma dessas posições leva ao entendimento. Crer em tudo, simplesmente “porque sim”, é, no mínimo, ingenuidade. Nunca acreditar em nada, por sua vez, é a expressão máxima da prepotência vaidosa. O caminho do meio é muito, mas muito difícil...

Publicado na edição 239 do Jornalzinho Ria de 09/08/2008


40

Carmen, dia dez completamos mais um ano de casamento, de União. Sei que é impossível resumir em apenas cem palavras o que Você é para mim. Precisava de infinitos trilhões de páginas para tentar expressar tudo que sinto por Você. E seria só uma tentativa... Juntos geramos três seres maravilhosos. Juntos sorrimos, choramos, brigamos. Muitas vezes dissemos as piores palavras que podem ser ditas: nunca e nada. Mas também dissemos e vivemos o algo, o muito e o sempre.Nem sei como você suportou meus erros, meus vícios, minhas loucuras. Só sei que, enquanto eu respirar, quero respirar com Você.

Publicado na edição 235 do Jornalzinho Ria de 14/06/2008


39

Eu estava aguardando para ser atendido num posto de saúde. Comecei a pensar sobre o que poderia fazer para aliviar o sofrimento da Humanidadeir. Minha cabeça começou a voar... Escrever um livro para amolecer os corações duros? Montar um site, no qual as pessoas pudessem me pedir conselhos para seu conforto espiritual? Criar um movimento de reforma íntima? Nesse momento, em que eu já me sentia tão bom como São Francisco, um senhor pegou um copo, encheu de água e regou uma planta ressequida. Nesse momento, aquela água como que me lavou, levando consigo minha vaidade. Voltei para o chão...

Publicado na edição 231 do Jornalzinho Ria de 17/05/2008


38

Muitos passam anos em erros. Alguns, pelo Amor ou pela dor, tomam consciência disso. Destes, muitos estacionam na culpa; alguns resolvem agir. Destes últimos, muitos só ficam no discurso; alguns tentam mudar. É um processo difícil, lento. É como um agricultor que, em vez de jogar as sementes na terra, joga uma a uma no lago, divertindo-se com as ondas. Um dia percebe o que fez. E vê o que sobrou: uma semente e a fome sua e dos seus. O que fazer? Chorar? É inútil. Semear de manhã, esperando colher à noite? Impossível. Semear, cuidar, colher, semear de novo?

Publicado na edição 231 do Jornalzinho Ria de 19/04/2008


37

....São muitas as histórias em que o Bem, no final, ganha, brilha, vence. Elas aumentam a espiritualidade, fortalecem a Fé, reforçam o sentido da Vida. De Moral da história em Moral da história, vamos, em meio a finais felizes, caminhando para frente e para o alto. Até o Livro de Jó, depois de tanto sofrimento trágico, apresenta um “final feliz”. Difícil, mesmo, é mantermos nossa Fé, nossa Esperança, mesmo diante das histórias nas quais o Mal triunfa, o Bem sucumbe, o final é triste; principalmente quando vivemos essas histórias. Mas só aí saberemos se temos Fé. O resto é ficção.


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Ter sede de buscar, domar a língua, ver-se nos outros. Esses são os três primeiros passos da busca espiritual. O quarto é uma ampliação do terceiro: sentir-se verdadeiramente um com tudo, não apenas com todos. Embora eu ainda nem tenha dado com firmeza o primeiro passo, antes de falar sobre o quinto, o sexto, o vigésimo, o milésimo, acho bom avisar o que acontece com quem chega ao último degrau do Caminho, ao cume da Iluminação, da Salvação, da Paz. Por seu coração estar tão cheio de Compaixão, voltará correndo à soleira do primeiro degrau, para ajudar todos na escalada.

Publicado na edição 230 do Jornalzinho Ria de 05/04/2008


35

Perguntaram por que escrevo. Este é o motivo: mostrar que você é quase a melhor pessoa que existe. Digo “quase”, porque talvez o seu “melhor” esteja encoberto por vaidade, orgulho, raiva, indiferença. Mas tudo isso pode ser lavado com humildade e esforço. E assim o seu “melhor” vai brilhar. Também digo “quase”, porque, depois que você remover a sujeira que recobre seu “melhor”, com a Luz que vai surgir, você vai ver que todos também possuem um “melhor” como o seu, mesmo que ainda oculto. Nesse momento, você vivenciará que tudo e todos somos Um. Nesse momento, você verdadeiramente nascerá.

Publicado na edição 229 do Jornalzinho Ria de 22/03/2008


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 Cinco minutos antes da meia-noite de quarta-feira de cinzas, o coração de carne da minha Mãe parou de bater, depois de setenta e quatro anos bombeando Amor. A morte faz parte da vida, mas ela dói muito, dói demais. Ainda estou sem palavras, mas preciso dizer a você uma coisa: nesses momentos trágicos, percebemos o que é realmente importante na Vida. Sabe o que é importante de verdade? O relacionamento com as pessoas que amamos. Mãe, sei que a senhora está com Deus. Sei, também, que a senhora continua comigo, continua sendo a melhor Mãe que um filho poderia ter.

Publicado na edição 228 do Jornalzinho Ria de 08/03/2008


33

      Como já disse, estes são, segundo o que penso, os dois primeiros passos na busca espiritual: ter sede de tal busca e domar a língua. O próximo: ver-se nos outros. Cada dente de uma engrenagem é único em sua extremidade. No centro dela, porém, não distinguimos os dentes. Cada um de nós também é único, mas no fundo, no centro, somos um só. João é invejoso? No fundo sou eu com inveja. Pedro me ofendeu? No centro sou eu o ofensor. Maria me agrediu? Eu sou o agressivo. Mas devemos vivenciar isso. Precisamos sentir isso como algo vitalmente real, óbvio.

Publicado na edição 224 do Jornalzinho Ria de 12/01/2008


32

O primeiro passo de busca espiritual consiste em sentir necessidade dessa busca. Você acha que o sentido da vida se resume a poder, dinheiro, amor, amizade, família, prazeres, fama? Talvez você tenha razão. Ou talvez ainda não tenha chegado a sua hora de buscar. Você sente sede de um sentido  maior? Sente saudade de algo que não consegue explicar? Sente um desejo permanente de se religar a Deus, ao Amor, à Compaixão, à Luz? Talvez você tenha razão. Mas se você sente, verdadeira e profundamente, essa sede, o primeiro passo já esta dado. É hora de caminhar fumo à fonte.

Publicado na edição 222 do Jornalzinho Ria de 15/12/2007


31

Em três momentos da minha vida eu me senti no maior contato com Deus, ou outro nome que se queira dar a essa culminância: Amor, Luz, Eternidade, Compaixão. É algo extraordinário: como no filme Matrix, eu via tudo de outra forma. Tudo estava certo, tudo era Harmonia. Eu me via em todas as pessoas, e em todas - inclusive em mim - eu via o Amor. É um êxtase, é como se eu recebesse estgmas da Paz, e Paz sem adjetivos. Eu era um com todos, um comigo, um com o Amor. Que saudade...Eu preciso voltar a esse Primeiro Amor.

Publicado na edição 221 do Jornalzinho Ria de 01/12/2007


30

São sábios estes provérbios: errar é humano; persistir no erro é burrice. A maior burrice que podemos fazer, porém consiste em ficarmos alimentando mágoa, culpa, ressentimento e vergonha pelos nossos erros do passado. Isso nos mantém estacionados num presente vazio de realizações, cercados pelo medo de errar de novo no futuro. Precisamos, é claro, reconhecer nossos erros. Precisamos, com certeza, tomar a firme decisão de não errar mais. Mas também precisamos continuar a trilhar o caminho da Vida. Quem não se perdoa, não se ama. E quem não se ama, não consegue amar. Precisamos recomeçar sempre: reconstruindo, restaurando, criando, amando.

Publicado na edição 221 do Jornalzinho Ria de 17/11/2007


29

Imagine uma placa, na Capital, com uma seta indicando o caminho para o litoral. Imagine, ao lado dela, uma família sentada em cadeiras de praia, um isopor com bebidas, pessoas passando bronzeador umas nas outras. Reserve essa cena.
"Religião" significa religar o Homem com um sentido maior do que as nossas mesquinharias. As religiões são como placas indicando o caminho para essa busca. Pelo menos deveriam ser assim.
A maioria das pessoas que freqüentam igrejas, porém, apenas vão aos templos e repetem rituais, livros, canções.
Aquela família precisa seguir o caminho que  leva ao Mar.
E nos também precisamos caminhar.

Publicado na edição 221 do Jornalzinho Ria de 03/11/2007


28

Nossa língua é um dos maiores obstáculos no caminho da busca espiritual. Quanto mais falamos (e, geralmente, mal) dos outros, mais difícil (ou impossível) fica a caminhada. Anos atrás, com muita luta, consegui domar minha língua. Acabei relaxando na vigilância, voltando ela ao seu estado selvagem. Mas se eu consegui, qualquer um consegue. O método, famoso, é simples, embora de dificílima execução. É verdade o que vou falar? Preciso falar isso? Gostaria que falassem isso de mim? Se uma das respostas for negativa, o melhor é calar. Feito isso, basta vigiar. Até quando? Até o nosso falecimento. Não é simples?


27

No Brasil, as pessoas clamam por Justiça. Querem, na verdade, vingança. Pregam Honestidade, mas furam filas. Pedem Justiça Social, mas não registram seus empregados. Fazem passeatas pela Paz, mas guardam mil rancores. Pedem Polícia, mas se revoltam quando são revistadas. Exigem obras, mas não querem mudanças na frente de suas casas. Querem que os motoristas e motociclistas respeitem a ordem no trânsito, mas trafegam pelo acostamento; ciclistas vão por onde bem entendem; pedestres não respeitam o semáforo. Anseiam por igualdade, mas sempre querem passar na frente dos outros.
Com essas pessoas, dá para se construir uma Nação? Que triste comédia...
Publicado na edição 214 do Jornalzinho Ria de 25/08/2007  


26

         Muitos não acreditam em Deus.  Quase todos, porém, acreditam piamente em estatísticas ou risco-país.  Basta uma ONG divulgar alguma estatística, que a imprensa, os políticos, os que se auto-denominam representantes da sociedade civil saem como papagaios a repetir os números apresentados.  Não investigam a ONG, sua metodologia, seus pesquisadores e financiadores, muito menos eventuais interesses escusos em jogo.  Por sua vez, um grupo de homens com azia resolve que o risco do Brasil é x, e tal valor vai para a primeira página dos jornais.  Precisamos parar de dar tanto crédito a ONGs, à imprensa e a aparecidos de plantão.

Publicado na edição 202 do Jornalzinho Ria de 10/03/2007 


25

                Tentei várias vezes fazer minha reforma íntima, abandonando vícios e outros defeitos. Tentei, caí, tento... Descobri, então, que, antes de tirar de mim esses males, preciso colocar em mim alguns bens. Preciso me emcher de Amor, Perdão. Preciso parar de julgar. Preciso, ao ver os erros dos outros, entender que, nas mesmas condições, talvez eu errasse muito mais. Preciso me ver nos outros, sempre. Preciso, enfim, sentir compaixão. Por mim e por todos os seres. Compaixão não é pena. É sentir com. E com paixão. Estou nascendo de novo agora. Você também está nessa busca e quer conversar? Visite www.compaixao.com

Publicado na edição 201 do Jornalzinho Ria de 124/03/2007 


24

      Há empresas que chamam seus funcionários de colaboradores, parceiros, associados.  A maioria delas, porém, trata-os como se fossem seres de quinta categoria, pagando-lhes salários de fome, pura e simplesmente explorando-os o máximo possível.
            Há empresas, também, que patrocinam concursos e campanhas sobre cidadania, ética, ecologia.  No entanto poluem o ambiente; negam-se a informar se há transgênicos em seus produtos; diminuem o peso destes, alegando, com a maior cara-de-pau, que a diminuição é um avanço tecnológico (mas o preço fica o mesmo, ou até aumenta).
            É muito fácil posar de politicamente correto.  Buscar agir de forma verdadeiramente correta, porém, é difícil...

Publicado na edição 199 do Jornalzinho Ria de 27/01/2007 


23

        Não confio nas pessoas que se dizem honestas. Primeiro, porque ser honesto não deveria ser visto como algo extraordinário. Segundo, porque quem bate no peito, alardeando sua honestidade, passa a imagem de alguém que se considera Deus, muito acima das imperfeições humanas.
        Prefiro as pessoas que simplesmente dizem ter medo; medo de, como seres humanos que são, falíveis, vaidosos, muito longe da perfeição, fazerem a primeira falcatrua e ficarem impunes. Sabem que, como humanos, vão gostar disso. E vão fazer a segunda, a terceira, quarta...
        Precisamos de menos deuses e mais seres humanos. Precisamos de menos alarde e mais ação.

Publicado na edição 198 do Jornalzinho Ria de 13/01/2007 


22


               Semanas atrás disse que iria mudar, abandonando vícios e outros hábitos destrutivos. Perguntam-me se mudei. Respondo que o caminho da mudança é muito íngreme, tortuoso, cheio de pedras cortantes, de lama, musgo, ladeado por uns poucos que querem ajudar e por muitos que apostam no tropeço. De fato, tropecei muito, caí várias vezes. Mas sempre voltei ao caminho. Nas quedas, eu me machuquei. Mas sei que também machuquei as pessoas mais importantes para mim. Pedir perdão não basta, sei disso...
          Só posso me levantar mais uma vez, tirar a lama dos olhos, secar as lágrimas e dar mais um passo...

Publicado na edição 195 do Jornalzinho Ria de 02/12/2006 


21

               Tudo deve ser analisado, criticado, inclusive a Imprensa.  O que muitos dos grandes meios de comunicação fizeram, por exemplo, na última eleição, inventando factóides que não podiam ser provados, deturpando acontecimentos, manipulando mentes, merece veemente repúdio.  O poder da Imprensa é tão grande, que, usado de forma errada, pode destruir, injustamente, pessoas e instituições.
             A melhor defesa que os pensantes podem exercer diante da má Imprensa é, justamente, pensar.  A matéria ou cobertura traz inverdades, deturpações?  Dá a impressão de que atende a interesses particulares?  Parece coisa encomendada, comprada?  Em qualquer dessas hipóteses, mude de jornal, de revista, de canal.

Publicado na edição 193 do Jornalzinho Ria de 04/11/2006 


20

          Será que um bilionário que tem duzentos helicópteros, quando adquire mais um, tem sua felicidade aumentada? Creio que não. Quando suprimos nossas necessidades vitais, fazemos algo imprescindível e justo. Quando, porém, nós aumentamos os laços de nossa condição de escravos de nossos desejos, de nossos vícios, de nossa vaidade, conseguimos, no máximo, alcançar uma falsa e temporária saciedade. Esta logo desaparece, deixando em seu lugar o vazio de sempre.
         Os ricos só querem ter cada vez mais. Os pobres só gostariam de poder ter como os ricos. E assim caminha a Humanidade, feito rebanho noturno, sem pastor, serpenteando entre precipícios.

Publicado na edição 192 do Jornalzinho Ria de 21/10/2006 


19

         Num certo dia da História do Universo, um anjo tomou do homem a selvageria bruta, empurrando-o para a vida em sociedade.. Nesse mesmo dia, um monstro tirou sua naturalidade, sua individualidade plena, transformando-o em gado.
         Num certo dia da História de cada um de nós, um anjo nos tirou o egoísmo bruto, ensinando-nos a conviver com os outros. Nesse mesmo dia, um monstro aprisionou nossos sonhos mais ícaros, condenando-nos ao chão.
       O anjo e o monstro são só: a civilização. O resultado colateral: um imenso, intenso e infindável mal-estar.
Assim nasceram as drogas, os fanatismos, as fugas em geral.

Publicado na edição 191 do Jornalzinho Ria  de 07/10/2002


18

Ia escrever que as pessoas são loucas.  Muitas participam de passeatas pela paz, mas ignoram, por rancor, parentes  e amigos.
         Percebi, porém, que louco sou eu.  Como posso falar de espiritualidade, se não respeito meu próprio corpo, que posso tocar?  Bebo em excesso, fumo feito chaminé, meu peso é mais do que o dobro do ideal.
         Portanto, dou, hoje, o primeiro passo.  Mudo hoje meus hábitos de comer e de beber.  Procuro hoje ajuda para largar o cigarro.
         Se progredir na caminhada, talvez daqui a quinze dias fale sobre a loucura dos outros.
         Por hoje, minha própria loucura me basta.

Edição 190 de 22/09/2006


17

          Festas são momentos importantíssimos na Vida. Mas isso só é verdade quando a festa significa a comemoração de um projeto realizado, como um ano bem vivido, um trabalho bem feito, uma união feliz. Nossos antepassados preparavam a terra, aravam o solo, jogavam as sementes, cuidavam da plantação. Na colheita, festejavam. 
         Há pessoas, porém, que buscam a festa só pela festa. Comemoram, na verdade, um profundo vazio.
         Mais do que resultados, deveríamos festejar a maravilha de podermos agir.
         Vamos agir, hoje, para que o Mundo seja melhor que ontem. E, quando o amanhã se transformar em hoje, vamos fazê-lo melhor ainda.

Edição 188 de 26/08/2006


16

           Somos vaidosos.  Quando fazemos algo de bom para alguém, esperamos algo em troca.  Não temos palavra: somos obrigados a preencher e assinar papéis com nossos compromissos, e, mesmo assim, muitas vezes falhamos.  Pouco ouvimos os outros.  Adoramos uma festa.         
Gostamos quando somos os primeiros, quando somos obedecidos, quando somos louvados.   Somos ciumentos, possessivos, egoístas, egocêntricos.  Sentimos muita ira.  
           Então, diante da morte, do vazio, do aperto, inventamos um deus à nossa imagem.      Passamos a venerar livros, gritar por ajuda, fazer promessas, construir templos monumentais.  Em nome desse deus, chegamos a matar.
            Está na hora de deixarmos que Deus nos invente.

Edição 187 de 12/08/2006


15

          Somos todos animais, embora tenhamos nos esquecido disso.  Mas também somos Deuses, por menos que nos lembremos disso.  Todo o mal que existe no Mundo vem desse nosso esquecimento, dessa nossa falta de lembrança.  Em vez de assumirmos nossos lados animal e divino, somos, às vezes, menos que animais; buscamos, quase sempre, ser mais que Deus.  Esse erro gera o ódio, o orgulho, a vaidade, a guerra, seja esta entre dois seres, entre povos, entre gerações.
          Para que o caos volte ao normal, precisamos aceitar nossas limitações.  Mas precisamos, também, buscar nossa divindade perdida.  A tarefa, embora difícil, é possível.

Edição 186 de 28/07/2006


14

         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


13

         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


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         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


11

         O vinho melhora com a idade. Pouquíssimas pessoas são como ele. A maioria, com o avançar dos anos, realça seus defeitos de caráter. O jovem ambicioso se transforma no adulto invejoso, que chega à terceira idade como um poço de despeito e ódio. O adulto que só pensa na luxúria se transforma num idoso que vive cantando garotinhas. O poupador compulsivo vira um verdadeiro muquirana. 
         Existe, porém, no meio dessa triste constatação, uma boa notícia: sempre é tempo de começar a reforma íntima. Ninguém está irremediavelmente condenado ao seu estado atual.          Todos podem mudar. Mas a mudança depende de nós.

Edição 185 de 15/07/2006


10

         Ter sucesso na vida pode parecer uma coisa boa, mas também pode significar uma sentença de morte, ou melhor: de uma vida vazia, sem progresso existencial, sem um passo sequer rumo à espiritualidade.  Quem se acha quase (ou mais que) um deus, quem resume o Universo ao seu sucesso, seus bens, fama, poder, não se questiona, não vê por que precisaria pensar em mudar.  Fecha-se nos seus princípios e valores (que julga perfeitos).  É puro egocentrismo.
          Essas pessoas nem chegaram ao patamar da pergunta: acredito em Deus?
          Elas precisam, primeiramente, passar por uma pergunta muito mais difícil: acredito em mim?

Edição 184 de 01/07/2006


09

           Não posso provar, cientificamente, que Deus existe. Não posso provar, historicamente, que Jesus Cristo existiu. Também não posso provar que Buda alcançou a iluminação. Nem que São Francisco obteve os estigmas da Cruz.
           Pensando bem, será que tudo isso é importante?
           Mas eu garanto que, quando enxugamos as lágrimas de quem sofre, sua dor diminui; quando damos um bom conselho, muitas dúvidas recebem uma nova luz; quando perdoamos, o nível do Amor entre as pessoas aumenta. Garanto que, quando ajudamos alguém a comer, a morar, a se vestir, a aprender, brotam sementes de esperança pelo Mundo.
          Isso, sim, é importante.

Edição 183 de 17/06/2006


08

          Fiquei sabendo que muitas escolas, públicas e particulares, estimulam a delação entre os alunos. Esses pseudo-educadores deveriam assistir ao filme “Perfume de Mulher”. Talvez aprendessem algo.
          Muitas pessoas gravam telefonemas e conversas, sem o conhecimento de seus interlocutores. Depois, soltam na imprensa.
          Ex-esposas, secretárias, jardineiros, motoristas, ex-aliados políticos contam fatos que só conheceram porque tinham acesso à privacidade das pessoas que agora delatam.
          E o povão gosta desses Judas, desses profissionais do dedodurismo, desses alcagüetes, desses traidores.
          Antigamente, até os piores bandidos tinham e respeitavam um código de honra. Hoje, a falta de honra é estimulada e aplaudida.
          Que tristeza...

Edição 182 de 03/06/2006


07

          Fiquei sabendo que muitas escolas, públicas e particulares, estimulam a delação entre os alunos. Esses pseudo-educadores deveriam assistir ao filme “Perfume de Mulher”. Talvez aprendessem algo.
          Muitas pessoas gravam telefonemas e conversas, sem o conhecimento de seus interlocutores. Depois, soltam na imprensa.
          Ex-esposas, secretárias, jardineiros, motoristas, ex-aliados políticos contam fatos que só conheceram porque tinham acesso à privacidade das pessoas que agora delatam.
          E o povão gosta desses Judas, desses profissionais do dedodurismo, desses alcagüetes, desses traidores.
          Antigamente, até os piores bandidos tinham e respeitavam um código de honra. Hoje, a falta de honra é estimulada e aplaudida.
          Que tristeza...

Edição 182 de 03/06/2006


06

          Todos pedem punição, prisão perpétua, pena de morte. Para os outros. Todos querem honestidade e transparência. Dos outros. Todos querem o sacrifício. Dos outros. Todos querem que as leis sejam obedecidas. Pelos outros.
          Por sua vez, ninguém olha para os próprios defeitos, as próprias deficiências, os próprios erros.
O povo desrespeita as leis, principalmente quando ninguém está olhando. O povo é desonesto.     Engana, mente, trai. Sempre está querendo levar vantagem. Esse mesmo povo, porém, cobra dos políticos e autoridades um comportamento divino.
          Precisamos, sim, mudar o Mundo. Mas se, primeiramente, não mudarmos nosso próprio viver, como poderemos mudar o resto?

Edição 181 de 20/05/2006


05

          Todos pedem punição, prisão perpétua, pena de morte. Para os outros. Todos querem honestidade e transparência. Dos outros. Todos querem o sacrifício. Dos outros. Todos querem que as leis sejam obedecidas. Pelos outros.
          Por sua vez, ninguém olha para os próprios defeitos, as próprias deficiências, os próprios erros.
O povo desrespeita as leis, principalmente quando ninguém está olhando. O povo é desonesto.     Engana, mente, trai. Sempre está querendo levar vantagem. Esse mesmo povo, porém, cobra dos políticos e autoridades um comportamento divino.
          Precisamos, sim, mudar o Mundo. Mas se, primeiramente, não mudarmos nosso próprio viver, como poderemos mudar o resto?

Edição 181 de 20/05/2006


04

          Estava muito triste, porque não ia poder dar a festa que tinha sonhado para sua filha. Aluguel do salão, comida, bebida, música, tudo era muito caro. E ela estava sem dinheiro para tudo isso.
          Então tentou se lembrar do seu aniversário de quinze anos. Não se lembrava do local da festa, nem do sabor dos doces e salgados. Da música também não se lembrava. Mas ainda sentia o carinho de seus pais, ainda via o brilho da luz dos seus olhos.
          Comprou um pequeno bolo, acendeu uma vela, olhou para sua filha.
          Mãe e filha se abraçaram. Olhos brilharam. Felicidade... 

Edição 179 de 22/04/2006


03

         Todos nós, todos os dias, deveríamos ser acordados com três notícias: que estamos com uma doença terminal, que vamos ser presos, que um ente querido morreu.
          Minutos depois, deveríamos receber a informação de que aquelas notícias eram todas falsas.
          Talvez, assim, passássemos a dar valor a esse imenso e indescritível privilégio que é estarmos vivos, que é estarmos livres para percebermos as belezas que nos cercam.
          A maioria das pessoas só está vivendo porque acordou. Na verdade, apenas porque abriu os olhos, pois passa o dia dormindo para o pulsar da vida.
          Precisamos viver cada segundo. Pode ser o último.

Edição 178 de 08/04/2006


02

          Minha mulher me perguntou se eu queria ir ao cinema com ela.
- Hoje não posso, estou escrevendo um artigo.
Minha filha mais velha me trouxe uma dúvida de Matemática.
- Depois eu te ajudo.
Meu filho me chamou para jogar bola.
- Agora não dá.  Depois.
Minha filha mais nova me convidou para jogar dominó.
- Outra hora.
          Escrevi o artigo, mas percebi que podia escrever mais.  E escrevi mais, muito mais.
Terminei o verdadeiro tratado.  Só faltava o título.
Em casa, todos já estavam dormindo.
          Escrevi o título, então: “A Importância da Vida em Família”.
Que título bonito!

Edição 175 de 25/02/2006


01

          Era uma vez um administrador que, para melhorar o fluxo dos carros na sua cidade, resolveu construir estradas. Derrubaram-se casas, abriram-se estradas. Mas tantas casas derrubaram para construir as estradas, que não havia mais casas, nem carros, nem gente.
          Muitas vezes, no desejo de resolvermos um problema, acabamos criando muitos outros, às vezes até maiores do que o original.
          Todos os mestres ensinaram e ensinam que o melhor caminho é o do meio, do bom senso.Sem dúvida ele é o melhor caminho, mas também é o mais difícil de ser trilhado. A escolha, como sempre, só pode ser nossa.


PARCEIROS